Caetano Veloso afirma: “Rio Grande do Sul é a Bahia” após ouvir conexões musicais no sul do Brasil
Caetano Veloso faz afirmação surpreendente ao comparar Rio Grande do Sul com Bahia após explorar conexões musicais no sul.
Em 1999, durante uma viagem a Pilar, o autor fez observações sonoras que levantaram questionamentos sobre as fronteiras culturais brasileiras. Caminhando pela cidade em busca das raízes musicais locais, ele ouviu ritmos variados — desde um vanerão até xotes pé de serra —, percebendo semelhanças melódicas entre regiões distintas como Caatinga e Rio Grande do Sul.
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Essa percepção foi reforçada por comentários artísticos; mais tarde, caetano Veloso afirmou: “O Rio Grande do Sul é a Bahia…”. Embora essa declaração tenha levado à discussão da dissolução regional na música popular, o autor se concentrou no mote inicial dos sons que pareciam conectar dois mundos geográficos diferentes.
Ele recordou versos de Jerônimo Jardim em “Eu vim do Sul”, os quais já apontavam para uma mistura natural entre xote gaúcho e ritmos sertanejos.**
A influência histórica entre Gonzaga e Pedro Raymundo
Anos depois dessa viagem pessoal ao Nordeste, trabalhando com acervo acadêmico na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF), foi possível estabelecer um elo significativo: a relação cultural entre Luiz Gonzaga e o músico Pedro Raymundo.
Embora alguns questionassem como essa conexão poderia existir se nenhum dos artistas fosse nativo do Rio Grande do Sul — fato que é confirmado pela pesquisa —, os registros apontaram para encontros no Rio de Janeiro. Na época em que “Adeus, Mariana” era sucesso estrondoso por parte de Raymundo, ele chegou à capital fluminense trajando uma pilcha completa composta por chapéu grande, bombachas, pala, botas e lenço no pescoço.
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Luiz Gonzaga demonstrou sagacidade ao perceber na vestimenta aparente absurdo não apenas um traje folclórico exagerado; tratava – se da expressão autêntica de quem vivia a cultura gaúcha ou sertaneja sem vergonha do seu povo. Para Pedro Raymundo, o uso dessas roupas fazia questão: cantar fora para os vaqueiros que estavam em casa (o Pampa.
O encontro dos ritmos nordestinos
A presença desses artistas também se fez notar no Rio e São Paulo, onde era possível encontrar uma forte representação cultural nortista. O Rei do Baião observou essa aceitação regional ao comentar numa entrevista concedida à revista *O Pasquim*.
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“Quando mandei buscar meu chapéu de couro no sertão, eu já estava vendo Pedro Raimundo na Rádio Nacional abafando”, relatou Gonzaga sobre o momento da convivência musical entre os dois mestres em um contexto radiofônico que misturava as tradições.”,
Essa interação não foi apenas visual; ela moldou a identidade artística dos músicos presentes: Lua começou se sentindo parte desse universo e pensou “Eu é gaúcho, vou ser cangaceiro”. A composição definitiva do traje para Luiz Gonzaga ocorreu após ele entender como vaqueiros nordestinos eram considerados fortes dentro das paisagens mais áridas.
A simbiose cultural na música brasileira
O ponto de convergência musical entre os dois artistas ficou ainda mais claro através da fala em Santanna O Cantador. Ao perguntar sobre sua influência sonora principal no repertório de Gonzagão, o cantor não hesitou ao citar Pedro Raymundo: “Foi esse cara aí que me influenciou”.
“Ele é gaúcho… Eu vou ser cangaceiro”, brincava ele; e demonstrou a ligação apontando como nos primeiros trabalhos era possível notar tanto Gonzaga “cantando e imitando a voz” quanto tocando instrumentos inspirados nele.
Santanna concluiu descrevendo uma simbiose entre as duas nações brasileiras — aquela do Sul (gaúcha) e a nordestina. Embora reconheça outras culturas fortes no país, incluindo os povos indígenas ou o folclore pantaneiro, Santanna argumenta pela unidade desses grupos ao analisar critérios de “Identidade Cultural”, “história compartilhada” e “sentimento de pertencimento”.
O parentesco das tradições
Para quem vivenciou essa história acadêmica em Pilar, ficou evidente que não há nada surreal nessa relação cultural; é um simples parentece musical entre as músicas sertanejas e gaúchas.
A análise aponta para uma célula comum na música do interior brasileiro. O autor conclui citando o contraste: “Lá no meu rádio só se ouvia Gonzagão / Mas o vizinho tocava Pedro Raymundo”, evidenciando a profunda ligação de ritmos como gaita com zabumba leguero, pala com gibão, provando que talvez os povos das coxilhas e dos sertões compartilhem mais tempo histórico em suas vidas menos mutáveis.