Brasil registra média de 18 mortes diárias em intervenções policiais no primeiro semestre de 2026
Crescimento nas mortes em intervenções policiais reflete desigualdades sociais e a necessidade urgente de reformulação nas políticas de segurança pública.
No primeiro semestre de 2026, ações policiais em todo o Brasil resultaram em aproximadamente 3.260 mortes, o que representa uma média de 18 óbitos por dia. Esse total equivale a uma taxa de 3,04 mortes a cada 100 mil habitantes. Os dados foram divulgados pela CNN Brasil nesta quinta – feira (30), baseando – se no indicador de “Morte por Intervenção Policial” do painel de estatísticas do Ministério de Justiça e Segurança Pública (MJSP.
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O número registra um aumento de cerca de 0,43% em relação ao mesmo período de 2025.
A Bahia se destaca como o estado com o maior número de casos registrados, contabilizando 730 mortes. Em seguida, aparecem São Paulo, com 352 vítimas, e Pará, com 329. Os dados também revelam que homens são a grande maioria das vítimas: foram 3.170 homens mortos contra apenas 34 mulheres.
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Em outros 56 casos, o sexo das vítimas não foi informado.
Estatísticas mensais e histórico
Entre os meses analisados, janeiro foi o mês com o maior número de mortes registradas. A série histórica aponta que, nos últimos dez anos, a letalidade policial no Brasil tem mostrado um crescimento alarmante. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o último ano da série foi o mais letal já registrado, com um total de 6.602 óbitos em decorrência de intervenções policiais.
Isso representa um aumento de 5,4% em comparação ao ano anterior.
Atualmente, as mortes causadas por ações policiais representam 16,2% do total das mortes violentas intencionais no país. Essa porcentagem revela que em cada seis homicídios no Brasil, um é cometido por agentes estatais.
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Perfil das vítimas e desigualdades
O perfil das vítimas permanece bastante homogêneo: cerca de 97% dos mortos são homens e a maior incidência ocorre entre jovens na faixa etária de 20 a 29 anos. Esses jovens têm uma probabilidade 3,5 vezes maior de serem mortos em confrontos policiais quando comparados aos brancos.
A situação evidência não apenas uma questão de segurança pública, mas também questões sociais profundas relacionadas à desigualdade racial e socioeconômica no Brasil. O debate sobre a atuação da polícia e suas consequências continua sendo uma preocupação importante entre especialistas e defensores dos direitos humanos.