Brasil registra déficit de R 56,1 bilhões em maio de 2026

O aumento do déficit fiscal em maio de 2026 evidencia a necessidade urgente de reformas estruturais para melhorar a eficiência das contas públicas.

17/07/2026 06:22

3 min

Ana Lankes, chefe da Economist no Brasil, em entrevista à CNN
Ana Lankes, chefe da Economist no Brasil, em entrevista à CNN

Em maio de 2026, as contas públicas do Brasil, que englobam União, estados, municípios e estatais, registraram um déficit de R 56,1 bilhões. Esse valor representa um aumento de 66,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R 33,7 bilhões.

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Ana Lankes, chefe da sucursal da revista britânica The Economist no Brasil, analisa que o país possui potencial para se destacar globalmente, mas a gravidade do descontrole fiscal impede essa ascensão.

Lankes destaca que “o Brasil tem todas as matérias – primas necessárias para virar uma potência”, mas aponta que as políticas complexas e imprevisíveis dificultam esse avanço. Ela observa que a constituição brasileira impõe gastos obrigatórios que reduzem a eficiência do Estado.

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Em entrevista à CNN Brasil, a jornalista afirmou: “Diferentemente de outros países, esses fatores tornam o ambiente econômico mais complicado”.

Desafios fiscais e orçamentários

A especialista critica o engessamento do orçamento, que limita os investimentos públicos em áreas essenciais como infraestrutura e desenvolvimento social. Segundo ela, as despesas com previdência e aposentadorias são uma das principais pressões sobre as contas públicas e são vistas como parcialmente “injustas”.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 reforça essa análise ao mostrar que a Previdência Social lidera os gastos obrigatórios da União, ultrapassando R 1,11 trilhão neste ano.

Lankes afirma: “Esse déficit, as políticas imprevisíveis e o sistema tributário ultracomplexo são alguns dos problemas que identifico”. Para reverter essa situação crítica, ela defende reformas estruturais profundas que simplifiquem os tributos e diminuam o peso da máquina estatal.

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A abertura de espaço fiscal é vista como essencial para direcionar investimentos a setores carentes de recursos. “O que só será possível por meio de uma reforma tributária”, ressalta Lankes. Ela também menciona distorções na proteção a certos setores empresariais, o que compromete tanto a competitividade quanto a inovação no Brasil.

Impactos da geopolítica e da guerra comercial

No âmbito internacional, Lankes analisa os efeitos da guerra comercial promovida pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. Ela acredita que as tarifas impostas têm gerado consequências opostas às desejadas, aproximando países latino – americanos como o Brasil da China. “O Donald Trump tem tornado os Estados Unidos em um país super imprevisível e errático”, comenta.

Ainda assim, ela elogia a postura diplomática do governo brasileiro diante do chamado “tarifaço” americano. Conforme informações recentes, o Brasil foi alvo de investigações comerciais nos EUA sob a Seção 301, com recomendações de sobretaxas de até 37,5% sobre mais de quatro mil produtos industriais, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI.

Após audiências públicas realizadas na última semana sobre essas questões tarifárias, o setor produtivo permanece em compasso de espera quanto aos desdobramentos dessa situação.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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