Brasil enfrenta transição política sem novas lideranças, afirma Carlos Melo

Carlos Melo aponta que a transição política no Brasil pode levar a uma reorganização significativa até 2030, refletindo transformações sociais em curso.

26/07/2026 03:40

3 min

Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, durante participação no WW Especial, da CNN Brasil
Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, durante p...

O Brasil vive um momento de transição política caracterizado pela falta de novas lideranças que possam substituir as figuras que dominaram o cenário nacional nos últimos anos. Essa análise foi feita pelo cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, durante sua participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, na noite de 26 de julho de 2026.

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Melo destacou que esse período deve ser visto à luz das transformações sociais em andamento, que antecedem as disputas políticas. Ele citou o conceito de “interregno”, introduzido pelo filósofo italiano Antonio Gramsci e utilizado pelo cientista político Sérgio Abranches, para descrever a situação atual do país.

Segundo ele, o Brasil passa por um momento em que antigas estruturas estão perdendo força enquanto novas ainda não emergiram completamente. “Há alguns anos, Sérgio Abranches tomou emprestado um termo de Gramsci para definir esse momento: o de que estaríamos vivendo um interregno, uma sociedade em transformação”, disse Melo.

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Desafios do período de transição

O cientista político explicou que o processo de transição não acontece instantaneamente. “O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu ou não despertou toda a sua potencialidade”, afirmou. Melo observou que períodos como este são marcados por incertezas, onde lideranças e grupos ligados ao ciclo anterior permanecem temporariamente no poder. “Setores sociais remanescentes do passado estão colocados e não conseguem ser substituídos imediatamente”, acrescentou.

De acordo com Melo, essa situação não é exclusiva do Brasil; já ocorreu em outros momentos históricos ao redor do mundo, levando a instabilidades até que novas forças políticas se formassem. Ele acredita que as eleições de 2026 podem sinalizar o fim desse ciclo, abrindo caminho para uma reorganização política mais robusta na próxima década. “Talvez essa eleição de 2026 encerre esse processo em 2030”, avaliou.

Forças políticas em disputa

Em sua análise sobre o cenário atual, Melo destacou a predominância de duas forças políticas: o antipetismo e o antibolsonarismo. Para ele, essas correntes representam as principais bases da disputa política no país neste momento conturbado. “Um [a esquerda] faz uma crítica muito forte ao mundo e à realidade que vivemos pela direita; outro [a direita] faz uma crítica forte pela esquerda e despertam os seus contrários”, comentou.

A força relativa dessas correntes pode mudar conforme os acontecimentos políticos da semana, segundo Melo. “Qual é a mais forte entre elas vai depender muito do escândalo da semana, vai depender muito do momento”, enfatizou. O cientista político também ressaltou que novas lideranças ainda não conseguiram preencher o espaço deixado por essa transição política. “Outras ainda não se colocaram, mas é uma questão de tempo,” concluiu.

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Sobre o programa WW Especial

WW Especial é apresentado por William Waack e vai ao ar aos domingos às 22h nas plataformas da CNN Brasil. O programa oferece uma análise aprofundada dos principais temas políticos do país e conta com participação de especialistas como Carlos Melo.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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