AtlasBloomberg: 59,4% dos brasileiros consideram injustificada tarifa dos EUA sobre produtos
A crescente insatisfação dos brasileiros com a tarifa dos EUA reflete um debate acirrado sobre as relações comerciais e suas implicações econômicas.
Um levantamento da Atlas Intel Bloomberg, divulgado nesta sexta – feira (31), revela que 59,4% dos eleitores brasileiros consideram injustificada a tarifa imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Apenas 33,1% acreditam que a sanção comercial é válida, enquanto 7,5% não souberam opinar.
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O assunto tem gerado intenso debate no país, com 85,1% da população acompanhando de perto a implementação dessa medida.
A pesquisa também mostra uma leve diminuição na insatisfação em comparação ao ano anterior. Em julho de 2025, 62,2% dos entrevistados viam a tarifa como injustificada. A porcentagem de pessoas que considera a sobretaxa justificada caiu de 36,8% para 33,1%.
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Além disso, o número de brasileiros que não souberam avaliar o tema aumentou de 1% na pesquisa anterior para os atuais 7,5%.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa realizada pela Atlas Intel Bloomberg entrevistou um total de 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%.
A nova tarifa dos EUA foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A sobretaxa de 25% entrou em vigor no dia 22 e se soma às tarifas já existentes sobre os produtos afetados.
Investigação e Justificativas Americanas
A alíquota foi implementada após uma investigação iniciada pelo USTR em resposta ao anúncio feito pelo presidente Donald Trump em julho de 2025 sobre uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A apuração analisou as políticas comerciais do Brasil relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico e acesso do etanol americano ao mercado brasileiro.
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De acordo com o USTR, as práticas brasileiras foram consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Entre as principais questões levantadas estão: o tratamento dado ao Pix — que favorece o sistema brasileiro em relação às empresas americanas — e barreiras impostas ao etanol dos EUA.
O governo americano não pretende acabar com o Pix, mas deseja que ele concorra em condições iguais com as empresas norte – americanas.
Aspectos Ambientais e Exceções à Tarifa
Outro ponto citado pelos EUA diz respeito à legislação ambiental brasileira. O USTR argumenta que o Brasil possui leis para combater o desmatamento, mas não as aplica adequadamente, contribuindo para insegurança jurídica e distorções comerciais.
Apesar das novas sobretaxas, produtos como café e carne bovina foram excluídos da medida. O documento do USTR também inclui diversas exceções para itens considerados essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes, como certos produtos farmacêuticos e componentes da indústria aeronáutica.
Expectativas e Retaliações
Os Estados Unidos buscam acesso igualitário aos regimes preferenciais concedidos pelo Brasil a outros países e defendem relações comerciais baseadas na reciprocidade. Ao mesmo tempo, há um alerta sobre possíveis retaliações por parte do Brasil diante dessas novas tarifas.
O ministro brasileiro já afirmou que o país está trabalhando para aumentar a lista de exceções à nova tarifa imposta pelos EUA.