Anac sabia de falha em avião da Voepass 11 meses antes do acidente que matou 62 pessoas, diz PF
A revelação da PF sobre o conhecimento da Anac sobre a falha no avião levanta questões sobre a responsabilidade e a segurança na aviação brasileira.
A Polícia Federal (PF) revelou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tinha conhecimento de uma falha no sistema de degelo da aeronave ATR-72 da Voepass, matrícula PS – VPB, quase um ano antes do acidente que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP), ocorrido em 9 de agosto de 2024.
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Durante a apresentação dos resultados da investigação, o delegado André Ribeiro, responsável pelo caso, destacou que a análise de diversos processos de fiscalização anteriores à tragédia indicou que a Anac já havia identificado o problema.
O delegado explicou que a Anac estava investigando relatos sobre despachos da aeronave para operações em condições de gelo e os problemas relacionados ao sistema de degelo. Durante um voo de “operação assistida” realizado em 2023, foi constatada uma pane nesse equipamento no próprio avião que viria a sofrer o acidente. “Estamos falando de um evento em 2023, quando o avião foi despachado para voar sob severas condições de gelo”, afirmou Ribeiro.
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Falhas identificadas antes do acidente
De acordo com as investigações, naquele voo assistido, o piloto conseguiu evitar um acidente ao conduzir a aeronave abaixo das áreas perigosas. No entanto, essa precaução não se repetiu durante o voo trágico em agosto de 2024. O delegado Ribeiro ressaltou que mesmo com o conhecimento prévio da falha por parte da Anac, a agência não notificou a Polícia Federal sobre a situação, tratando – a como uma questão interna entre a Anac e a companhia aérea.
A Anac se encarregou de comunicar à Voepass sobre os problemas identificados e aguardava uma resposta da empresa quanto às providências que seriam tomadas. “A Anac julgou as ações propostas pela companhia como satisfatórias e acatou suas devolutivas”, explicou o delegado.
A PF ainda não confirmou se recebeu informações sobre essas providências ou se elas foram devidamente implementadas pela Voepass.
Desdobramentos legais e posicionamento das empresas
A Justiça Federal em Campinas autorizou que todas as provas coletadas na investigação sejam compartilhadas com a Anac para uma apuração interna sobre possíveis responsabilidades. Além disso, cópias dos documentos também foram solicitadas à Procuradoria da República no Distrito Federal para investigar eventuais atos de improbidade ou crimes relacionados ao caso.
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Os indiciados estão proibidos de deixar o Brasil enquanto as investigações continuam. Em resposta à situação, a CNN Brasil buscou um posicionamento oficial da Anac e aguarda retorno. Por sua vez, a Voepass divulgou uma nota enfatizando seu compromisso com a segurança operacional e afirmando que sempre cumpriu rigorosamente os protocolos estabelecidos pela Anac ao longo dos seus mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira.
A Voepass destacou também sua certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), obtida desde 2012, que atesta altos padrões internacionais de segurança operacional. A companhia informou que seus treinamentos incluem procedimentos específicos para enfrentar condições adversas como formação de gelo e garantiu que sua tripulação era composta por profissionais experientes, com mais de 5 mil horas de voo cada um.
Desde o início das investigações, a Voepass tem colaborado com as autoridades competentes, fornecendo documentos e registros necessários ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à PF. A empresa reafirmou sua solidariedade às famílias das vítimas do acidente e se colocou à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas relacionadas ao caso.