Amizade como base: 29% dos empresários brasileiros escolhem amigos como sócios, revela estudo

A escolha de amigos como sócios reflete a confiança e a complementaridade de habilidades, impulsionando o sucesso de negócios no Brasil.

Empreendedor avalia plano de negócio:

O empreendedorismo no Brasil vem sendo impulsionado por laços de amizade, com 29% dos empresários optando por ter amigos como sócios. Essa informação é destacada em um estudo da consultoria Mind Minners, que aponta que apenas os sócios familiares superam essa escolha.

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A relação de amizade entre sócios pode facilitar a divisão de responsabilidades e a resolução de problemas, refletindo os princípios da economia das relações, onde o vínculo humano é fundamental para o sucesso empresarial.

A decisão de empreender ao lado de amigos se baseia na confiança mútua e na combinação de habilidades complementares. As histórias de Felipe Buranello e Eduardo Pirré, fundadores da Maria Brasileira, e Rafael Corte e Diego Dutra, do JAH Açaí, exemplificam como boas conexões podem dar origem a negócios prósperos.

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Amizade vira negócio lucrativo

Felipe Buranello e Eduardo Pirré se conheceram em 2011 enquanto trabalhavam juntos em uma franquia do setor de construção civil. A amizade floresceu rapidamente e, após um ano de conversas sobre suas aspirações profissionais, decidiram fundar a Maria Brasileira em 2012, uma empresa voltada para limpeza residencial e empresarial que já conta com mais de 500 unidades em operação. “Antes de enxergá – lo como um possível sócio, eu o enxerguei como um excelente profissional e, depois, como um grande amigo”, recorda Buranello, atual CEO da empresa.

Segundo Buranello, o essencial para transformar relações comerciais em parcerias sólidas é construir confiança através das interações diárias. Ele enfatiza a importância de identificar uma dor no mercado. “Percebemos que o setor de limpeza precisava de mais profissionalização, segurança e confiança”, explica.

Com isso em mente, decidiram criar uma solução para esse problema. A filosofia baseada na confiança continua a ser um pilar central da empresa, que estima faturar R 231 milhões em 2026.

Networking dá lugar a amizade e expansão global

No caso do JAH Açaí, a história dos sócios Rafael Corte e Diego Dutra começa com uma conversa comercial há 12 anos. Corte procurou Dutra para vender picolés durante as operações iniciais da marca. O engenheiro percebeu a oportunidade para escalar a operação com a ajuda do eletricista fundador da rede. “Percebemos que a união do produto excelente do Diego com minha visão de processos era a oportunidade perfeita”, relata Corte.

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Hoje, o JAH Açaí conta com 200 unidades espalhadas pelo Brasil e faturamento estimado em R 210 milhões. A rede se destaca pelo autoatendimento em suas lojas e já expandiu para Portugal e Alemanha. A sociedade evoluiu para uma amizade sólida à medida que trabalhavam juntos na estruturação da franquia.

Os desafios da rotina empreendedora

Apesar das vantagens evidentes de empreender com amigos, muitos empresários enfrentam dificuldades ao equilibrar as esferas pessoal e profissional. Definir limites claros sobre responsabilidades é crucial para manter tanto o relacionamento quanto o negócio saudáveis. “Aprendemos que uma sociedade saudável não precisa ser baseada em cobranças constantes”, afirma Buranello.

Corte também reconhece essa necessidade: “O segredo da longevidade foi definir que o JAH vem sempre em primeiro plano”. Essa separação entre vida pessoal e profissional ajuda a preservar tanto o caixa do negócio quanto a amizade fora do ambiente corporativo.

Dicas para empreendedores

Para aqueles que desejam transformar conexões pessoais em sociedades empresariais bem – sucedidas, os dois empreendedores oferecem conselhos valiosos. Encontrar afinidade nos valores e objetivos é fundamental para garantir uma parceria duradoura. “Uma conexão pessoal pode dar origem a uma excelente sociedade”, destaca Buranello.

Corte acrescenta que é essencial identificar claramente qual problema deve ser resolvido dentro dessa relação societária: “A dica é: parem de focar no que a outra pessoa pode te dar e foquem no problema que você pode ajudar a resolver”. Assim, quando há honestidade nas trocas e habilidades complementares entre os sócios, o sucesso do negócio surge naturalmente.