Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita gera preocupações sobre proliferação de armas

A aprovação do acordo pode impulsionar a capacidade nuclear da Arábia Saudita, intensificando tensões geopolíticas e preocupações sobre a segurança regional.

Urânio aquecido retirado de armas nucleares

O governo do presidente Donald Trump anunciou apoio a um acordo de energia nuclear com a Arábia Saudita, permitindo que o país enriqueça urânio e processe combustível nuclear usado. Essa informação foi confirmada por duas fontes à Reuters e também pela CNN.

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A decisão já levanta preocupações entre os países da região, que temem uma possível proliferação de armas nucleares.

A discussão sobre um acordo de cooperação nuclear entre Washington e Riad se arrasta há anos. O objetivo é dar à Arábia Saudita acesso à tecnologia americana, enquanto as empresas dos Estados Unidos teriam a oportunidade de obter grandes contratos para construir instalações nucleares no reino.

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Contudo, questões de segurança e proliferação sempre estiveram no centro das atenções, especialmente em uma região marcada pela instabilidade.

Preocupações com a proliferação nuclear

A Arábia Saudita, como signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), já se comprometeu a não desenvolver armas nucleares e concordou com inspeções internacionais. No entanto, o governo dos EUA busca garantir proteções adicionais antes de formalizar o acordo.

Fontes indicaram que o que impede a Arábia Saudita de enriquecer urânio e processar combustível nuclear são a ausência de um protocolo adicional de supervisão internacional e requisitos rigorosos.

Essas omissões despertam inquietação entre aliados dos EUA no Oriente Médio, incluindo Israel. Além disso, há receios sobre a coerência da política americana, uma vez que um dos argumentos usados para justificar intervenções na região foi a recusa do Irã em abandonar seu programa nuclear.

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No Congresso americano, alguns legisladores já expressaram oposição ao acordo, exigindo salvaguardas mais rígidas para qualquer entendimento firmado com Riad.

Interesses estratégicos da Arábia Saudita

Embora possa parecer inusitado para um país como a Arábia Saudita buscar um programa nuclear, o reino pretende reduzir suas emissões de carbono e liberar petróleo bruto para exportação. De acordo com o plano econômico Visão 2030 do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, a energia nuclear pode ajudar neste objetivo, substituindo parte da geração elétrica feita a partir do petróleo e do gás natural.

A Administração de Informação Energética dos EUA apontou que em 2024 cerca de 68% da eletricidade saudita era gerada pela queima de gás e 32% pela queima de petróleo. Com isso, 1,4 milhão de barris de petróleo eram utilizados diariamente para geração de energia no pico do mês de junho.

A energia nuclear poderia também oferecer soluções para problemas relacionados à dessalinização da água e ar condicionado.

Além disso, Riad afirmou que se o Irã desenvolver armas nucleares, será forçada a seguir o mesmo caminho. Essa declaração parece ter como objetivo pressionar Teerã, mas também gera desconfianças sobre as reais intenções sauditas.

Possíveis parcerias alternativas

Caso as negociações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita não avancem conforme esperado, outras nações com capacidades nucleares já demonstraram interesse em estabelecer parcerias com Riad. A China National Nuclear Corp (CNNC) apresentou uma proposta em 2023 para construção de usinas nucleares no país árabe.

A Rússia também mostrou interesse através da estatal Rosatom, além da Coreia do Sul e França serem vistas como candidatas potenciais.

A escolha do parceiro dependerá das ofertas tecnológicas disponíveis e considerações geopolíticas relacionadas ao manuseio do combustível nuclear.

Enriquecimento sob vigilância

Uma questão central gira em torno da possibilidade de Washington construir uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita. Isso levanta dúvidas sobre quem teria acesso à operação: se sauditas ou apenas funcionários americanos operariam essa instalação em um modelo restrito.

Sem salvaguardas adequadas incorporadas ao acordo, há riscos significativos: a Arábia Saudita possui reservas próprias de urânio e poderia teoricamente usar essa infraestrutura para produzir material físsil destinado à fabricação de bombas nucleares.

Fontes afirmaram que o acordo proposto inclui possibilidades legais para cooperação no ciclo do combustível nuclear, mas não impõe ao governo americano transferir tecnologias ou capacidades diretamente ao reino saudita. Além disso, há preocupação diplomática quanto à oposição expressa por Israel contra qualquer programa nuclear civil na Arábia Saudita.